“Você precisa de uma avaliação com o neuroftalmologista.” Essa frase, dita depois de uma consulta oftalmológica de rotina, costuma gerar dúvida e um pouco de preocupação. Afinal, o que é neuroftalmologia e por que o oftalmologista comum encaminhou para outra avaliação?
A neuroftalmologia é uma subespecialidade que existe justamente para investigar esse tipo de situação: quando o problema envolve a visão, mas a causa está na conexão entre os olhos e o sistema nervoso, e não no olho isoladamente.
Sou o Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista em São Paulo e chefe do setor de Neuroftalmologia da Santa Casa de São Paulo, e neste texto explico o que essa especialidade investiga e quando ela entra em cena.
O que é neuroftalmologia?
Neuroftalmologia é a área da oftalmologia dedicada às doenças que envolvem, ao mesmo tempo, a visão e o sistema nervoso. Isso inclui o nervo óptico, que conecta o olho ao cérebro, os caminhos visuais dentro do cérebro, e os nervos que controlam os movimentos dos olhos e das pálpebras.
É uma especialidade que costuma trabalhar em conjunto com neurologistas e, em alguns casos, com endocrinologistas e outros especialistas, já que muitas das condições investigadas têm origem em outras partes do corpo.
Quais condições a neuroftalmologia investiga?
- Alterações no nervo óptico, como neurite óptica e papiledema
- Perda de campo visual sem uma causa ocular evidente
- Visão dupla (diplopia) de origem neurológica
- Paralisias que afetam o movimento dos olhos ou das pálpebras
- Alterações visuais associadas a enxaqueca ou outras condições neurológicas
- Pupilas com tamanho ou reação diferente do esperado
Em comum, essas condições têm o fato de a queixa envolver a visão, mas a origem estar em algum ponto entre o olho e o cérebro.
Quando o oftalmologista encaminha para essa avaliação?
O encaminhamento costuma acontecer quando, durante uma consulta de rotina ou por uma queixa específica, o oftalmologista identifica algo que foge do exame ocular comum, como:
- Alteração no aspecto do nervo óptico durante o exame de fundo de olho
- Queda de visão sem explicação encontrada no próprio olho
- Movimento anormal dos olhos ou desvio de início recente
- Queixa de visão dupla ou perda de parte do campo visual
Esse encaminhamento não significa necessariamente algo grave. Muitas vezes, é justamente a forma de descartar causas mais sérias e chegar a um diagnóstico com mais segurança.
Como funciona a consulta neuroftalmológica?
Além do exame oftalmológico completo, a consulta costuma incluir testes específicos, como avaliação detalhada do campo visual, dos movimentos oculares, da reação das pupilas e exame minucioso do nervo óptico. Dependendo do caso, exames de imagem, como ressonância magnética, podem ser solicitados para completar a investigação.
O que você não deve fazer
Evite ignorar um encaminhamento para neuroftalmologia por achar que “é só rotina” ou adiar a consulta por meses. Quando o oftalmologista indica essa avaliação, geralmente há um motivo específico encontrado no exame.
Também não se assuste antecipadamente. Boa parte das investigações neuroftalmológicas serve justamente para confirmar que não há nada grave, e essa confirmação também tem valor.
Uma ponte entre a visão e o sistema nervoso
A neuroftalmologia existe para investigar justamente os casos em que a visão dá pistas sobre o que acontece no sistema nervoso. É uma avaliação detalhada, que ajuda a esclarecer sintomas que, de outra forma, ficariam sem explicação.
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Foi encaminhado para uma avaliação neuroftalmológica ou tem uma queixa visual sem explicação? Fale comigo e agende uma consulta em São Paulo.
Escrito por Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum · Clínica e Cirurgia de Olhos · CRM 87.924 · Dedicado a estrabismo, neuro-oftalmologia, oftalmologia pediátrica e controle de miopia, para crianças e adultos, em São Paulo.