Quando levar a criança ao oftalmologista pela primeira vez

“Vou esperar ela reclamar que não está enxergando bem.” Essa é uma das frases mais comuns entre pais quando o assunto é a primeira consulta oftalmológica dos filhos. O problema é que crianças pequenas raramente percebem, e muito menos verbalizam, que enxergam diferente do esperado.

Por isso, esperar uma queixa não é a melhor estratégia. Existe uma recomendação clara sobre quando a primeira avaliação deve acontecer, mesmo sem nenhum sinal aparente.

Sou o Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista pediátrico em São Paulo, e neste texto explico quando levar a criança ao oftalmologista e o que esperar dessa primeira consulta.

Por que a criança não avisa que enxerga mal?

Uma criança que nasceu com um grau de visão alterado não tem parâmetro de comparação. Para ela, aquela forma de enxergar é a única que conhece, e por isso não reconhece que existe algo diferente.

Além disso, o cérebro da criança pequena é muito adaptável: se um olho enxerga pior que o outro, ela naturalmente passa a usar mais o olho “bom” e nem sempre demonstra desconforto. É exatamente por isso que a avaliação preventiva é tão importante. O olho não utilizado vai ficando preguiçoso.

Quando deve ser a primeira consulta?

O ideal é que toda criança sem antecedentes familiares importantes e sem sinais aparentes de alteração oftalmológica passe por uma primeira avaliação completa entre 6 e 12 meses e seja reavaliada até os 3 anos de idade, mesmo sem nenhuma queixa ou sinal visível. Depois disso, o acompanhamento costuma seguir com consultas periódicas, geralmente anuais.

Em situações específicas, a avaliação pode ser antecipada, como em bebês prematuros, casos de histórico familiar de doenças oculares, ou quando o pediatra identifica algum sinal de alerta ainda nos primeiros meses de vida.

Quais sinais antecipam a necessidade de avaliação?

  • Olhos desalinhados, mesmo que discretamente
  • Bebês que não fazem contato visual após os 3 meses
  • Aproximar-se muito de telas, livros ou da televisão
  • Inclinar a cabeça ou fechar um olho para enxergar
  • Histórico familiar de miopia, estrabismo ou outras doenças oculares
  • Bebês que nasceram prematuros

Nesses casos, não é preciso esperar a idade de referência: vale procurar a avaliação assim que o sinal for percebido.

Como funciona a consulta com uma criança pequena?

A consulta oftalmológica pediátrica é adaptada para a idade da criança. Os testes usam imagens, brinquedos e figuras em vez de letras, e boa parte da avaliação é feita de forma lúdica, sem a necessidade de a criança “colaborar” verbalmente.

É comum usar colírios para dilatar a pupila durante o exame, o que permite avaliar o grau de forma mais precisa e também examinar a parte interna do olho com detalhe.

O que você não deve fazer

Evite esperar a criança entrar na escola para fazer a primeira avaliação. Muitas alterações que atrapalham o desenvolvimento visual precisam ser identificadas antes dessa fase, enquanto o cérebro ainda está em formação.

Também não considere o teste do olhinho, feito na maternidade, como suficiente para os anos seguintes. Ele avalia principalmente alterações graves logo ao nascer, mas não substitui o acompanhamento oftalmológico de rotina.

Prevenção é a melhor forma de cuidar da visão do seu filho

A primeira consulta oftalmológica é um passo simples que pode fazer grande diferença no desenvolvimento visual da criança. Quanto mais cedo qualquer alteração é identificada, maiores são as chances de um bom resultado ao longo da vida.

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Escrito por Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum · Clínica e Cirurgia de Olhos · CRM 87.924 · Dedicado a estrabismo, neuro-oftalmologia, oftalmologia pediátrica e controle de miopia, para crianças e adultos, em São Paulo.

Sobre o autor

Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista em São Paulo

Médico oftalmologista com atuação em estrabismo, neuro-oftalmologia e oftalmologia pediátrica, além de cirurgia de catarata e refrativa. Doutor pela UNIFESP, chefia o setor de Neuroftalmologia da Santa Casa de São Paulo e é diretor da Academia Brasileira de Controle da Miopia (ABRACMO).

Atendo crianças e adultos em São Paulo, unindo prática clínica, cirúrgica e ensino. Escrevo aqui para explicar, com calma, o que costumo conversar na consulta: o que está acontecendo com o seu olho, quais são as opções de tratamento e por que indico cada caminho.

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