Um olho que desvia, a criança que aperta o olhar para enxergar, a visão dupla que aparece de repente no adulto. O estrabismo assusta muita gente, e a dúvida que mais escuto no consultório é sempre a mesma: tem cura? A resposta curta é que sim, o estrabismo tem tratamento, e em boa parte dos casos o alinhamento dos olhos pode ser recuperado.
O que muda de um paciente para outro é o caminho até lá. Nem todo estrabismo precisa de cirurgia, e nem todo caso se resolve só com óculos. Cada situação pede uma avaliação individual antes de qualquer decisão.
Sou o Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista em São Paulo com mais de 20 anos dedicados ao estrabismo. Neste texto explico o que causa o desvio, quais são as opções de tratamento e quando a cirurgia entra em cena.
O que é o estrabismo?
Estrabismo é o desalinhamento dos olhos: enquanto um olho mira o objeto, o outro aponta para uma direção diferente, para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Esse desvio pode ser constante ou aparecer só em alguns momentos, como no cansaço.
Ele vai muito além da aparência. Quando os olhos não trabalham juntos, a visão em profundidade fica prejudicada. Na criança, o cérebro pode passar a ignorar a imagem do olho desviado, o que leva ao chamado olho preguiçoso. No adulto, o desvio costuma causar visão dupla e desconforto.
Estrabismo tem cura?
O estrabismo tem tratamento em qualquer idade, e muitos casos alcançam um alinhamento duradouro dos olhos. O que não existe é uma fórmula única: o resultado depende da causa, do tipo de desvio, da idade em que o tratamento começa e da resposta de cada paciente.
Na infância, quanto mais cedo se identifica o desvio, maiores as chances de proteger o desenvolvimento da visão e evitar o olho preguiçoso. No adulto, o tratamento também traz bons resultados, tanto no alinhamento quanto no alívio da visão dupla. Por isso prefiro falar em recuperar o alinhamento e a função visual, e não em promessa de cura para todos os casos.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento é escolhido caso a caso e pode combinar mais de uma abordagem:
- Óculos, que corrigem o grau e, em alguns tipos de estrabismo, já reduzem o desvio
- Tratamento do olho preguiçoso, com tampão ou outras técnicas, quando há perda de visão em um dos olhos
- Exercícios visuais, indicados em situações específicas
- Aplicação de toxina botulínica, usada em casos selecionados
- Cirurgia de estrabismo, para alinhar os olhos quando é a melhor indicação
Quando o estrabismo precisa de cirurgia?
A cirurgia entra quando o desvio não se corrige com óculos ou outros tratamentos, ou quando o alinhamento é necessário para recuperar a função visual e o conforto. É um procedimento comum, feito na parte branca do olho, sem cortes na pele do rosto.
A decisão de operar nunca é automática. Ela vem depois de um exame completo, em que avalio o tipo e o grau do desvio, a visão de cada olho e o histórico do paciente. Só então converso sobre a indicação, os resultados esperados e a recuperação.
O que você não deve fazer
Não espere o estrabismo “passar sozinho”, principalmente na criança. O desvio que aparece cedo e não é avaliado pode comprometer a visão de forma permanente. Também não trate o problema apenas como uma questão de estética: o estrabismo afeta a forma como os olhos trabalham juntos.
E evite buscar respostas definitivas na internet antes de um exame. Só a avaliação presencial mostra o tipo de estrabismo e o melhor caminho para cada pessoa.
Cuidar do seu olhar com quem entende do assunto
Se você percebe um desvio no seu olhar ou no do seu filho, o melhor caminho é uma avaliação com um oftalmologista que trate estrabismo no dia a dia. Com o diagnóstico certo, dá para escolher o tratamento mais adequado e recuperar o alinhamento com segurança.
Estou à disposição para avaliar o seu caso com calma e explicar cada passo.
Agende sua consulta
Quer entender o que está causando o desvio e quais são as opções para o seu caso? Fale comigo pelo WhatsApp e agende sua avaliação.
Escrito por Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum · Oftalmologia · CRM/SP 87.924 · RQE [a confirmar] · Doutor pela UNIFESP e chefe do setor de Neuroftalmologia da Santa Casa de São Paulo.