“Olho preguiçoso” é um dos nomes mais conhecidos em oftalmologia, mas também um dos mais mal-entendidos. Muita gente imagina que é um problema estético ou algo que passa sozinho com o tempo. Na prática, é uma condição chamada ambliopia, e ela tem uma janela de tempo definida para ser tratada.
A ambliopia é uma das principais causas de baixa visão em crianças, e o detalhe mais importante sobre ela é justamente o tempo: quanto antes é identificada e tratada, maior a chance de recuperação.
Sou o Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista pediátrico em São Paulo, e neste texto explico o que é o olho preguiçoso, por que ele acontece e o que esperar do tratamento.
O que é ambliopia?
Ambliopia é a diminuição da visão em um dos olhos (ou, mais raramente, nos dois), sem que exista uma lesão que justifique isso. O problema não está no olho em si, mas na forma como o cérebro processa a imagem vinda dele.
Durante os primeiros anos de vida, o cérebro está aprendendo a enxergar. Se um dos olhos manda uma imagem pior que o outro, seja por um grau alto não corrigido, por estrabismo ou por outra causa, o cérebro passa a “priorizar” o olho que enxerga melhor e vai deixando de desenvolver a visão do outro.
Quais são as causas mais comuns?
- Diferença de grau entre os dois olhos, não corrigida
- Estrabismo, quando um olho desvia e o cérebro passa a ignorá-lo
- Grau alto nos dois olhos, ainda sem correção
- Obstrução da visão em um dos olhos, como catarata congênita ou pálpebra caída
Em muitos casos, a criança enxerga mal de um olho e nem percebe, já que o outro olho “compensa” no dia a dia.
Ambliopia (olho preguiçoso) tem cura?
A ambliopia tem tratamento, e quando identificada e conduzida dentro da janela ideal de desenvolvimento visual, a maioria das crianças recupera parte importante ou toda a visão do olho afetado.
O tratamento costuma envolver corrigir a causa (óculos, cirurgia de catarata ou de pálpebra, tratamento do estrabismo) e, muitas vezes, “forçar” o cérebro a usar o olho mais fraco, seja com tampão no olho bom por um período do dia, seja com colírios ou outras estratégias.
Por que a idade importa tanto no tratamento?
O sistema visual se desenvolve principalmente até os 7 ou 8 anos de idade. Depois dessa fase, fica bem mais difícil “reeducar” o cérebro a usar o olho amblíope, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
É por isso que a ambliopia costuma ser chamada de “condição silenciosa”: a criança muitas vezes não reclama de nada, e o tempo passa sem que o problema seja percebido. Quanto antes tratar, melhor.
Quando procurar um oftalmologista pediátrico?
- A criança ainda não passou pela primeira avaliação oftalmológica
- Existe estrabismo, mesmo que discreto
- Há histórico de ambliopia, estrabismo ou grau alto na família
- A criança inclina a cabeça, fecha um olho ou parece não usar bem um dos olhos
- Alteração do reflexo luminoso na pupila (por exemplo numa foto)
O que você não deve fazer
Evite adiar o tratamento por achar que a criança “vai se acostumar” ou que vai melhorar sozinha com o tempo. A ambliopia não se resolve por conta própria, e cada mês sem tratamento reduz a janela de recuperação.
Também não interrompa o uso do tampão ou do óculos por conta própria assim que notar alguma melhora. O tempo de tratamento é definido pelo oftalmologista, e parar antes da hora pode fazer o quadro voltar.
Tempo é o fator mais importante
Diferente de muitas condições oftalmológicas, na ambliopia o tempo de diagnóstico pesa diretamente no resultado do tratamento. Por isso, a avaliação oftalmológica de rotina na infância é uma das formas mais eficazes de proteger a visão do seu filho.
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Escrito por Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum · Clínica e Cirurgia de Olhos · CRM 87.924 · Dedicado a estrabismo, neuro-oftalmologia, oftalmologia pediátrica e controle de miopia, para crianças e adultos, em São Paulo.