Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns em qualquer consultório, e uma das primeiras perguntas que surge é: “será que é dos olhos?”. A resposta é: às vezes sim, às vezes não. E saber diferenciar isso é o que orienta o tratamento correto.
A visão e o sistema nervoso estão profundamente conectados, e é justamente na fronteira entre esses dois campos que atua a neuroftalmologia.
Sou o Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum, oftalmologista em São Paulo e chefe do setor de Neuroftalmologia da Santa Casa de São Paulo, e neste texto explico quando a dor de cabeça pode estar relacionada à visão e quando ela pede uma avaliação neuroftalmológica.
Quando a dor de cabeça é mesmo dos olhos?
Algumas situações oculares realmente causam ou pioram a dor de cabeça, entre elas:
- Grau de óculos desatualizado ou não corrigido
- Esforço visual prolongado, como muitas horas de tela sem pausa
- Pequenos desvios nos olhos que forçam um esforço extra para manter o foco (heteroforias)
- Fadiga visual associada a ambientes com pouca luz
Nesses casos, a dor costuma se concentrar ao redor dos olhos ou na testa, piora ao longo do dia com o uso da visão de perto, e melhora com descanso.
Quando a dor de cabeça não é dos olhos, mas envolve a visão?
Existe também um grupo de condições neurológicas que causam dor de cabeça e, ao mesmo tempo, alterações visuais, mesmo que o olho em si esteja saudável. É aqui que entra o trabalho da neuroftalmologia:
- Enxaqueca com aura, que pode causar pontos luminosos ou perda temporária de parte do campo visual
- Aumento da pressão intracraniana, que pode causar inchaço do nervo óptico
- Neurite óptica, inflamação do nervo que liga o olho ao cérebro
- Alterações que afetam o campo visual, mesmo sem dor associada
- Tumores intracranianos que podem afetar as vias ópticas
Nesses casos, o exame de fundo de olho e a avaliação do nervo óptico podem trazer informações importantes para o diagnóstico, mesmo quando o sintoma principal é a dor de cabeça.
Quais sinais, junto com a dor de cabeça, pedem atenção redobrada?
- Visão dupla ou visão embaçada que aparece junto com a dor
- Perda de parte do campo de visão, mesmo que temporária
- Dor de cabeça muito diferente das que você já teve antes
- Piora progressiva ao longo de dias ou semanas
- Dor que piora ao deitar ou ao tossir
- Zumbido
Esses sinais em conjunto merecem avaliação com prioridade, já que podem indicar uma causa neurológica que precisa ser identificada.
Quando procurar um neuroftalmologista?
Vale buscar essa avaliação especializada quando a dor de cabeça vem acompanhada de qualquer alteração visual, quando já foi investigada por outras especialidades sem uma causa clara, ou quando o oftalmologista ou neurologista identifica alguma alteração no nervo óptico durante o exame.
O que você não deve fazer
Evite se automedicar de forma contínua com analgésicos sem investigar a causa da dor. O uso frequente de medicação, inclusive, pode gerar um tipo de dor de cabeça associada ao próprio remédio.
Também não assuma que toda dor de cabeça é só “grau de óculos” sem passar por uma avaliação completa, principalmente se ela vier acompanhada de alterações na visão.
Uma avaliação pode esclarecer bastante
Dor de cabeça tem muitas causas possíveis, e a visão é uma delas, seja de forma direta, seja como pista para outra condição. Uma avaliação bem feita ajuda a esclarecer o que está por trás do sintoma e a direcionar o tratamento certo.
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Escrito por Prof. Dr. Fábio Ejzenbaum · Clínica e Cirurgia de Olhos · CRM 87.924 · Dedicado a estrabismo, neuro-oftalmologia, oftalmologia pediátrica e controle de miopia, para crianças e adultos, em São Paulo.